Fim do cessar-fogo: desdobramentos e futuro do conflito Israel-Hamas
março 25, 2025 | by igorg3739@gmail.com


Guerra já resultou na morte de mais de 50 mil palestinos — Foto: Reuters/Amir Cohen
Faixa de Gaza, madrugada do dia 18 de março, no horário local. Tropas militares de Israel realizam ataque surpresa a alvos estratégicos ligados ao Hamas. O avanço das forças israelenses sobre o território palestino marca o retorno de uma série de conflitos urbanos, resultando em baixas expressiva de civis e danos à rede de infraestrutura já debilitada do Estado da Palestina.
Sob liderança do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e do Ministro de Defesa Israel Katz, as IDF (Forças de Defesa de Israel) deram início a um plano de ataque à estrutura do Hamas —organização política com forte aparato militar que é classificada como grupo terrorista pelos Estados Unidos, União Europeia, Canadá, Austrália, dentre outras nações— na Faixa de Gaza como forma de pressionar seus líderes a cumprir a troca de reféns acordada durante a fase que antecedeu o cessar-fogo entre os dois lados, de acordo com a mensagem enviada pelo gabinete do primeiro-ministro. “Isso (fim do cessar-fogo) ocorre após a recusa repetida do Hamas em libertar nossos reféns. Israel, de agora em diante, agirá contra o Hamas com força militar crescente, diz o comunicado. O grupo terrorista nega tal acusação.
Em meio ao aumento de tensão, a população civil da região afetada pelo conflito é a peça mais vulnerável dessa partida de “xadrez belicista” mantida por ambos os lados. Dados fornecidos pelo Ministério da Saúde de Gaza à agência de notícias AFP, na quarta-feira (19/03), apontam para o registro de pelo menos 436 óbitos em razão dos ataques do exército de Israel desde o encerramento do período de cessar-fogo. Entre as vítimas está um funcionário das Nações Unidas, abatido na sede da organização em Gaza, embora as circunstâncias da morte estejam sob investigação.
Nesta última segunda feira, 24, o gabinete ministerial de Netanyahu aprovou um plano que promove o “deslocamento voluntário” de moradores da Faixa de Gaza, local historicamente disputado, para outros países da região. No entanto, nações árabes rechaçam a ideia e organizações de direitos humanos falam de tentativa de limpeza étnica em curso por parte de Israel. O governo egípcio, importante interlocutor neste conflito, descarta a possibilidade de aceitar o reassentamento de pouco mais de 500 mil palestinos em seu território. “O Egito nega categorica e completamente as alegações de está preparado para realocar temporariamente meio milhão de moradores de Gaza para uma região à norte do Sinai como parte da reconstrução de Gaza”, disse o Serviço se Informação do Estado do Egito.
Em contrapartida ao plano controverso de realocamento do povo palestino, Cairo propõe um novo acordo de cessar-fogo que promova um cenário adequado para a reconstrução do território abalado pelo conflito armado. Sob os termos desse plano, apresentado em 4 de março durante uma reunião de emergência da Liga Árabe, o Egito estabelece um apaziguamento dos embates marcado pela retomada da troca gradual de reféns insraelenses, capturados em 7 de outubro de 2023 pelo terroristas do Hamas, por prisioneiros palestinos. Fontes ligadas ao governo egípcio dizem que esse processo inicial seria acompanhado pela retirada completa das forças insraelenses da Faixa de Gaza. Até o momento da publicação dessa reportagem, o governo de Israel não havia se pronunciado a respeito do plano proposto pelo Egito, enquanto as lideranças do Hamas concordam com os termos.